As estimativas dão conta de um crescimento do setor moveleiro gaúcho no ano de 2011 na ordem de 6% a 8%, número positivo quando comparado ao PIB brasileiro, que deve crescer entre 4% a 5% neste ano. Mesmo com esse cenário promissor, o setor preocupa-se com questões estruturantes, que aparecem como determinantes da competitividade dos produtos gaúchos.
Um diagnóstico elaborado pela Movergs aponta como principais entraves ameaçadores da competitividade dos móveis gaúchos questões de ordem logística, tributária, ambiental e de mão de obra. Na pauta logística aparecem pontos conhecidos dos gaúchos, como a infra-estrutura deficitária de rodovias, portos, hidrovias, ferrovias, excesso de pedágios e cobrança de taxas e a falta de investimentos em todos os modais, ao longo dos últimos anos. Como o Estado está fora do eixo central do país e não possui matrizes produtivas suficientes para atender as demanda do setor, demanda custos extras de frete tanto na compra de insumos e matérias-primas quanto na distribuição dos seus produtos, tornando os nossos produtos fabricados aqui, mais caros e menos competitivos.
“Sabemos que existem projetos estruturados para as rodovias, como o Duplica RS e Rodovia do Parque, mas precisamos urgentemente de investimentos na recuperação das rodovias existentes e também de uma nova avaliação na questão dos pedágios e dos altos valores cobrados”, pontua Ivo Cansan, presidente da Movergs.
A entidade também reivindica projetos e ações de melhor utilização das hidrovias e ferrovias a longo prazo, para que os setores produtivos possam utilizar esse meio de transporte barato e ambientalmente sustentável. Um estado forte, não pode concentrar seu escoamento em uma matriz unimodal de transporte. O Rio Grande do sul ocupa uma posição estratégica no sistema hidroviário nacional, possui uma rede de rios e lagos que margeiam os municípios sedes dos principais pólos industriais e agrícolas do estado, convergindo a Lagoa dos Patos, que se liga ao Oceano Atlântico. Estes caminhos naturais formam 930 Km de hidrovias no RS, assim como a malha ferroviária existente no nosso estado contribuiria para atender os pontos de maior densidade populacional e os grandes focos de produção primária.“Existe potencial para a utilização de hidrovias e ferrovias no nosso Estado, as quais poderiam escoar nossa produção de forma ágil, barata e ecologicamente correta, melhorando, inclusive, o fluxo de veículos das nossas estradas e tornando os nossos produtos mais competitivos através da redução de custos no escoamento da produção”, pondera Cansan.
Outro entrave reside na escassez de incentivos fiscais e de investimentos por parte do governo estadual, ao longo dos anos, em decorrência do déficit econômico, o que contribui para que o RS venha registrando crescimento menor que os demais estados da federação, tanto no mercado interno quanto no mercado internacional. “Os estados que estão em melhores condições econômicas propiciam, através de regulamentos internos de ICMS, incentivos fiscais para os setores produtivos. Também abrem mão dos seus impostos para a atração de investimentos que oportunizem o crescimento de suas cadeias produtivas ou dão algum tipo de compensação para proteger seus setores produtivos e torná-los mais competitivos”, compara o presidente da Movergs.
Na área ambiental, as principais deficiências situam-se na falta de políticas claras para o desenvolvimento da atividade da silvicultura, falta de zoneamento ambiental, dificuldades para obtenção do licenciamento ambiental para plantios florestais e falta de incentivos para que as empresas desenvolvam projetos de produção limpa. Esperamos que a aprovação do novo Código Florestal resolva parte destas questões.
A carência de mão de obra especializada e de cursos suficientes, tanto técnicos quanto de graduação, para atender às demandas dos setores produtivos também impõem barreiras à competitividade da indústria moveleira gaúcha. Há que se falar, ainda, na falta de políticas governamentais de longo prazo, na política cambial, com adoção de medidas em conta-gotas ( as quais não surtem efeito), na tão falada reforma tributária que não sai do papel, nas reformas previdenciária e trabalhista, no aumento de juros, da inflação em alta, dos créditos tributários de exportação, entre outros. Estes entraves são fatores limitantes para a competitividade dos móveis brasileiros no cenário internacional, portanto é imprescindível que o governo dê mais atenção a estas questões estruturantes e busque soluções emergenciais, pois corremos o risco de um efetiva desindustrialização no nosso país”,reforça o presidente da MOVERGS.
Ver todas as notîcias
Av. Osvaldo Aranha, 1075 - Salas 401/402 | Centro Comercial Osvaldo Aranha - Bento Gonçalves - RS - 95700 000 | Caixa Postal 585 - Fone/Fax (54) 2102.2450 | movergs@movergs.com.br
Desenvolvido por Guife Multicom