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  • 19.08.2011

    Fabricantes nacionais de tecidos avaliam prejuízos com importação e pedem apoio do governo

    Durante o Salão de Tecidos para Decoração, realizado durante a feira Brasil Móveis, de 9 a 12 de agosto, no Pavilhão de Exposições do Anhembi, em São Paulo, as empresas integrantes do Comitê TexBrasil Decor, da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT) falaram o quanto a importação de tecidos tem prejudicado as indústrias brasileiras.

    O diretor da Abduche, Sérgio Abduche, aproveitou para pedir empenho do governo e atenção da ABIT para frear a entrada de tecidos importados. “A importação de tecidos, que está cada vez maior, tem nos atrapalhado e está nos deixando muito preocupados. Minha empresa está trabalhando com 50% de ociosidade, e outras empresas do grupo também estão neste caminho”, aponta.

    Bastante perceptível neste panorama da importação é a invasão de tecidos como voil, organzas, estampados, chenille, e principalmente a suede, um tecido que há dois anos era comercializado a US$ 22 e, hoje, entra no país por R$ 6. Esta facilidade tem levado os lojistas e fabricantes de móveis a usarem o tecido de forma exagerada, o que poderá cansar os consumidores e, em pouco tempo, gerar uma oferta maior do que a demanda.

    Por isso as indústrias brasileiras fabricantes de tecidos apostam ao máximo na criatividade e em prazos curtos de entrega. “Temos feito produtos diferenciados para fugir desta concorrência maluca da China”, destaca Abduche. O diretor da Tramare, Ordival Wiezel, enumera outros diferenciais. “Temos tecidos em estoque, e condições de oferecer aos nossos clientes produtos exclusivos. Trabalhamos com todas as tendências internacionais, porém adaptadas à realidade dos brasileiros. Estamos desenvolvendo novas ideias para atender aos anseios dos nossos clientes e, além disso, muitas empresas do Comitê também trabalham com pequenas metragens”, ressalta.

    Otimista, Levon Sanghikian, gerente de vendas da Paranatex Decor, avalia que as vendas baixas do primeiro semestre podem se refletir positivamente nos próximos meses, mesmo com a invasão dos importados. “Notamos que, em decorrência do primeiro semestre, que foi muito fraco, os fabricantes e lojistas estão com os estoques muito baixos, por isso nós acreditamos numa recuperação parcial neste segundo semestre, independente de todos os problemas com os importados que estamos tendo”, calcula.

    Rafael Dollo, da Texpoint, diz que, para combater a crise e a concorrência dos importados, a dica é investir em novidades e participar de feiras. “O mercado está muito ruim por conta dos importados, mas nós trouxemos 95% de produtos novos, por isso, acreditamos que participar de feiras é uma oportunidade de mudar o cenário que está ruim”, frisa. “Por mais que as coisas estejam difíceis, a Brasil Móveis foi uma boa feira, já que nos propiciou novos contatos”, avalia.

    Fonte: Comitê TexBrasil Decor

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