Aquisição de maquinário, seja nacional ou internacional, beneficia competitividade industrial.
Diante das ameaças à competitividade da indústria moveleira que o setor tem vivenciado, é de fundamental relevância que as empresas atentem para a importância de aquisição de novos maquinários e tecnologias, segundo o presidente da Associação das Indústrias de Móveis do Estado do Rio Grande do Sul (MOVERGS), Ivo Cansan. "As indústrias moveleiras devem ter capacidade de competir a nível global e, assim, enfrentar a concorrência externa que está, cada dia mais, ameaçando os fabricantes daqui", salienta.
Neste sentido, Cansan entende que a compra de maquinários e tecnologias de fabricantes brasileiros deve ser incentivado com mais ênfase. No entanto, o governo pouco tem feito a este respeito. “Parece que o tempo de resposta do governo não é equivalente à necessidade de urgência do setor produtivo”, reflete. “Sabe-se que importar custa muito mais caro e ainda não podemos usufruir do financiamento de equipamentos importados a juros subsidiados pelo BNDES, através do Revitaliza”, indica. “Por isso, o setor busca adquirir máquinas e equipamentos importados, apenas quando não há similar no Brasil”, completa.
Assim, a indústria continua fragilizada em virtude da falta de estímulos à competição. Para se ter uma ideia, segundo estudo da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), 44,7% do preço dos produtos industriais decorrem da carga tributária e de sua complexidade, além das deficiências na logística, que deveriam ser sanadas pelo Estado. A indústria brasileira gasta R$ 17,1 bilhões por ano para compensar as deficiências na infraestrutura de logística e transportes no país.
É preciso incentivo ao investimento, desoneração de impostos e outras questões que poderiam dar isonomia ao fabricante nacional frente aos concorrentes estrangeiros, conforme Cansan. “Se faz necessário o estímulo à aquisição de tecnologia e maquinário, desde que a importação de bens de capital não seja dificultada”, considera. “Sem isso, o país perde competitividade e os trabalhadores perdem empregos”, avalia.
Em tempo
Para alertar a sociedade a respeito dessa grave e urgente situação, a MOVERGS está unida a diversas centrais sindicais e entidades do setor produtivo no “Grito de Alerta em Defesa da Produção e do Emprego”. O movimento nacional coloca lado a lado empresários e trabalhadores com o objetivo de pressionar o governo por medidas que garantam a competitividade da indústria nacional e a geração de empregos de qualidade. “Ainda é possível reverter o atual quadro de desindustrialização, mas é preciso mobilização de todos os envolvidos”, considera Cansan.
As manifestações percorrem o Brasil e tiveram como ponto de partida a capital do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, onde estiveram reunidos mais de oito mil manifestantes. O protesto se repetiu em Itajaí (SC), em Curitiba (PR) e em São Paulo (SP). Provavelmente, o Grito irá percorrer também Manaus (AM), Brasília (DF), Belo Horizonte (MG), Salvador (BA) e Recife (PE).
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