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A situação da economia mundial fica cada vez mais clara – a coisa está preta. Os americanos vão levar anos para se livrar da confusão criada pelos financistas perversamente estimulados por seu próprio banco central, o Federal Reserve. E os europeus terão de enfrentar por longo tempo os abusos de sua obsoleta social-democracia. É essa perspectiva de baixo crescimento por um longo período nas economias avançadas que desloca as oportunidades de investimento para os países emergentes.

Essas nações são a nova fronteira da configuração global formada por dinheiro barato, novas tecnologias acessíveis e excesso de mão de obra. Nesse conjunto se destacam, particularmente, países com dimensões continentais e mercados internos de consumo de massa, como o Brasil e a China. Mas aqui começam suas diferenças na definição das estratégias de crescimento.

Como retirar da pobreza dezenas de milhões de brasileiros? A social-democracia de peemedebistas, tucanos e petistas escolheu um caminho alternativo. Considera o setor público o principal instrumento para a criação de empregos e a inclusão social dos pobres brasileiros. A ênfase de atribuir ao governo o papel crítico na dinâmica de crescimento econômico empurrou os gastos públicos de pouco mais de 20% do PIB em meados dos anos 80 para quase 40% em 2010. A falta de coordenação macroeconômica no combate à inflação, com o expansionismo fiscal exigindo permanente contenção monetária, produziu uma configuração perversa: juros altos e real caro em relação a outras moedas, duas lâminas decepando empregos.

Não surpreendem, portanto, as deformações na Previdência Social e a necessidade sistêmica do assistencialismo nos orçamentos públicos, muito além da hipertrofia nas despesas financeiras e do empreguismo crônico. Segundo Raul Velloso, veterano especialista na matéria, cerca de 100 milhões de brasileiros vivem com o dinheiro público. Entre a criação de privilégios no passado e de dependência para o futuro, metade da população recebe hoje recursos repassados pelo governo. O orçamento público tornou-se uma gigantesca folha de pagamentos. E o governo um pagador de promessas.

PAULO GUEDES é economista e escreve quinzenalmente na revista ÉPOCA

Leia o artigo na íntegra: http://si.knowtec.com/scripts-si/MostraNoticia?&idnoticia=28557&idcontato=425&origem=fiqueatento&nomeCliente=FUNCEX&data=2010-07-24

Publicação: 27/07/2010 



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