O ritmo acelerado de crescimento do consumo nos mais diferentes setores, além de enxugar os estoques de produtos e insumos, também provoca fortes pressões por reajustes de preços de matérias-primas e alongamento nos prazos de entrega de insumos às fábricas.
Duas pesquisas sobre o setor industrial, uma da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e outra do HSBC, retratam em números os impactos da corrida dos fabricantes para atender à maior procura. No trimestre encerrado em abril, quase que dobrou em relação a janeiro a fatia de indústrias que registraram aumento no prazo de recebimento de insumos e matérias-primas, aponta a sondagem industrial da FGV.
Entre as cerca de mil indústrias consultadas no mês passado pela sondagem, 9% delas informaram que os fornecedores estão levando mais tempo para entregar os insumos. No trimestre encerrado em janeiro, 5% das indústrias relataram essa condição de abastecimento.
A Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do HSBC, realizada pelo Markit Group, confirma o alongamento de prazos de entrega de insumos e as pressões inflacionárias na cadeia de produção industrial. O indicador para o prazo de entrega, em que 50 representa normalidade e abaixo de 50 maior tempo para fornecer os insumos, fechou abril em 46,7 pontos depois de ter encerrado 2009 em 48,3 pontos. Em contrapartida, outro indicador da pesquisa do HSBC, que acima de 50 revela pressões inflacionárias dos insumos industriais na cadeia de produção, atingiu em abril 59,4 pontos numa trajetória crescente desde janeiro.
Mais prazo na entrega e aumento de preços
"Estou perto de ocupar 95% da capacidade de produção das fábricas e, se continuar nesse ritmo, logo vou atingir 98%", prevê Sergio Amoroso, presidente do Grupo Orsa, grande fabricante de embalagens de papelão ondulado, espécie de termômetro do ritmo de atividade porque reflete a demanda de setores importantes da economia, como eletrônicos, artigos de higiene e alimentos industrializados.
Ele conta que o ritmo de vendas da empresa cresceu 19% até abril, na comparação com o mesmo período de 2009, e neste mês está um pouco mais intenso. Por causa do volume maior de pedidos, os prazos de entrega das embalagens fornecidas pela companhia, que oscilavam entre 4 e 5 dias, vão dobrar. "Pegamos mais clientes e a carteira ficou cheia", diz ele.
De carona na demanda aquecida, o grupo vai reajustar em 20% os preços das embalagens a partir do mês que vem. A intenção é repassar a alta de 40% no preço da celulose ocorrida entre janeiro e abril.
Fonte: www.estadao.com.br
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