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19-03-2024

A inovação não é apenas o destino final, é a jornada

Estamos vivendo momentos em que inovação é a palavra de ordem nas empresas. O mundo conectado reduziu os tempos e aumentou a necessidade de manter-se sempre atualizado e conectado. Nosso concorrente não é apenas o vizinho, mas sim o mundo todo, em qualquer tempo.

Nesta jornada, as empresas são cada dia mais desafiadas a fazer mais, mais rápido, mais eficiente. Se no passado o desenvolvimento de um carro garantia a venda do produto por 10 anos na linha, hoje o consumidor demanda atualizações e os ciclos de produto demandam lançamentos em 50% do tempo. Se você analisar quanto da sua receita vem de produtos ou processos que sua empresa desenvolveu nos últimos 3 ou 5 anos, você começa a ter indícios de como a inovação é importante para o seu negócio.

“Precisamos ser inovadores”, “precisamos fazer mais com menos”, “precisamos ser criativos”. Seguidamente ouvimos esses chamados das empresas, mas isso não vai acontecer da noite para o dia. Não existe conto de fadas no qual alguém vai acordar em um dia de sol, e, naquele abrir de olhos, começar a ser inovador. A inovação demanda prática, erros (muitos) e acertos. É essa dualidade de erro e acertos que vai “arredondando” as ideias até se transformarem em produtos mínimos viáveis (MVP), protótipos, operações assistidas, lotes pilotos, até chegarem em novos produtos ou processos que convertam em faturamento para a empresa.

Podemos usar como exemplo as grandes inovações de impacto na sociedade, como Santos Dumont e o famoso “14-Bis”. O nome "14-Bis" deriva do fato de que essa aeronave foi a décima-quarta experiência (14ª) de Santos Dumont em suas tentativas de construir uma aeronave mais pesada do que o ar. A palavra "bis", indicando repetição, ou seja, Santos Dumont estava revisando e refinando suas criações ao longo do tempo, e levou 14 tentativas até chegar em uma operação viável em 23 de outubro de 1906, em Paris.

Grandes inovações muitas vezes são construídas sobre uma base sólida de fracassos, que servem como tijolos para a construção da base da criatividade e originalidade. Mas é fácil falarmos de inovações visíveis aos nossos olhos. Exemplos famosos sempre vêm à mente, normalmente associadas a aplicativos, como Uber, Netflix, Airbnb. Mas muitas vezes não nos atentamos de como inovações simples mudam nosso dia a dia com bem menos glamour. Para explicar meu ponto, vou usar uma das novas melhores amigas da cozinha: a Airfyrer. Se nos falassem, 10 anos atrás, que nossas cozinhas precisariam considerar um espaço especial de destaque para esse eletrodoméstico que esquenta a comida rápido, sem ser forno ou fogão, e ainda com possibilidade de atender a um público “fit”, possivelmente seríamos chamados de loucos. Hoje, muitos não se imaginam sem a queridinha das novas receitas. Mas o que isso tem a ver como inovação como jornada?

Podemos pensar em produtos e serviços tecnológicos, mas a verdadeira inovação é aquela que torna a vida das pessoas mais simples, menos burocrática, menos dramática, e que nos deixe mais tempo para fazer o que gostamos.

E se lendo isso você ficou pensando em como vai fazer inovação e ao mesmo tempo vai dar conta das demandas do dia a dia, deixo como sugestão priorizar a ambidestria. Ambidestria consiste em dimensionar na proporção necessária as necessidades atuais e as futuras.

Ao mesmo tempo que se gasta a maior parte do tempo para manter a eficácia operacional constante e atender às demandas diárias do negócio, deixar um tempo para pensar fora dessa caixinha, olhando para outras oportunidades, negócios, tecnologias, e às vezes trocando ideias e perspectivas com outros setores para alimentar a empresa de futuro. Essa abordagem equilibrada visa garantir que a organização seja ágil o suficiente para se adaptar às mudanças, sem negligenciar a eficiência em suas operações principais. Por isso, uma das ações do Inova Bento é, todas as terças-feiras, levantar pautas diversas para que as empresas saiam do seu óbvio e do conforto para ouvir tendências, conectar com outras pessoas com as mesmas dores e muitas vezes perceber dores que até algum momento não existiam.

Esses pequenos momentos, mas também o direcionamento estratégico da gestão, são fundamentais quando se pensa na inovação como jornada, e não apenas como destino final. E é importante compreender que o processo não é linear. Assim como uma trilha sinuosa que nos leva a destinos desconhecidos, a busca pela inovação nos conduz por caminhos inexplorados, nos desafiando a enfrentar obstáculos e a aprender com as experiências. O caminho é desafiador, mas ficar parado é muito mais perigoso.

Vamos juntos nessa jornada?

Artigo elaborado por Fernanda D Arrigo, coordenadora do Centro de Inovação de Bento Gonçalves (Inova Bento)

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