MOVERGS - Associação das Indústrias de Móveis do Estado do RS

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06-03-2025

Artigo: variação cambial e o mercado moveleiro

A variação cambial nada mais é do que a flutuação no valor das moedas, como Real e Dólar, por exemplo. Isso afeta as empresas, pois altera o preço dos produtos importados, desde matérias-primas até componentes e bens finais, assim como dos produtos exportados. Portanto, toda empresa que de alguma forma está ligada ao comércio internacional tem sua atividade influenciada pela variação do câmbio.

Importante destacar que no comércio internacional a taxa de câmbio serve de parâmetro para refletir a relação dos preços de produtos nacionais em relação aos preços em outros países. E essa taxa de câmbio pode variar por várias razões, mas vamos considerar duas, como sendo as principais: 1) variação de mercado ou lei da oferta e da demanda; 2) variação da inflação.

Com base nos conceitos apresentados, o foco será o segmento moveleiro, cuja relação com o mercado internacional é bem próxima, visto tratar-se de um setor tradicionalmente exportador e também importador, não só de móveis, mas de insumos e componentes.

Utilizando como base o ano de 2024, o Real sofreu forte desvalorização, em torno de 21,82% (base Índice Ptax), e foi a moeda que mais se desvalorizou no mundo. Cabe comentar que uma queda tão expressiva no valor de uma moeda nunca tem uma causa única, mas podemos ressaltar que a principal razão foi a dificuldade do governo federal em promover o ajuste fiscal e equilibrar as contas públicas, fato esse que gera risco inflacionário e a necessidade da taxa de juros se manter em patamar elevado.

Uma desvalorização cambial aumenta a competitividade dos produtos exportados, tendo em vista que os exportadores faturam em moeda estrangeira (no caso, dólar) e fazem a conversão para o real, que está desvalorizado. Em contrapartida, tal situação encarece as importações, porque as compras acontecem em dólar e antes é necessário fazer a conversão. Esse cenário requer muita atenção, pois os ganhos (variações ativas) ou perdas ganhais (variações passivas) podem ser traduzidos como geradores de receitas ou despesas financeiras que podem dispersar a atenção da real situação da empresa ou negócio, do setor produtivo em si, gerando resultado ou prejuízo artificial, pois foi causado por variável externa, no caso o câmbio.

Para o mercado de um modo geral, há algo pior do que um câmbio excessivamente valorizado ou desvalorizado. Sim, fortes oscilações no câmbio em curtos períodos de tempo geram instabilidade econômica, já que fica muito difícil projetar o câmbio e comprar/vender ou investir com um mínimo de segurança.

Aliás, em setores em que o investimento na capacidade produtiva é feito muitas vezes via importação, direta, de equipamentos, ou indireta, de componentes, como é o caso do moveleiro, fica mais caro investir com a taxa cambial desvalorizada. Além disso, a Taxa Selic a 13,25% ao ano gera dúvidas severas se o melhor é investir ou se resguardar nesse momento. E a tendência dos juros ainda é de alta, infelizmente, o que atrapalha não só as empresas, mas o consumo das famílias, pois encarece o crédito e o torna mais seletivo.

Assim, nesse momento, a palavra que surge é planejamento. Que as empresas analisem com maior cuidado e estudo o passo que será dado, minimizando riscos, que evitem exposições excessivas em dólar ou outra moeda, visto que a oscilação cambial neste momento é uma realidade, que utilizem a ferramenta do hedge cambial, que acaba se tornando investimento e não custo, pois protege e diminui riscos. Aliás, são muitas questões relevantes que podem ser impactadas pelo câmbio e devem ser controladas com maior cuidado, como gerenciamento de estoques, condições de pagamento, definição do preço de venda, controle de custos, sempre com o objetivo de manter a empresa competitiva.

Além disso, cabe ressaltar a relevância da diversificação dos destinos, pois as empresas que vendem para vários países, distribuindo suas vendas externas, conseguem proteger melhor o seu negócio da variação cambial, que existe em países com o perfil do Brasil e é inerente ao processo de lidar com o comércio exterior.

Por fim, é muito importante que o governo equilibre as contas públicas, que a inflação seja controlada e os juros caiam, o que por si só tende a gerar uma maior estabilidade cambial, ao menos nas variáveis que envolvem o mercado interno. Dessa forma, as empresas poderão dar maior foco naquilo que efetivamente é seu objetivo: o desenvolvimento de inovações e a fabricação de móveis de qualidade.

*Conteúdo elaborado por Rogério Tolfo, consultor econômico da Movergs

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