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16-12-2021
Desempenho do setor moveleiro gaúcho em 2021
O setor moveleiro do RS apresenta crescimento de faturamento em 2021. Com base nos dados oficiais da Sefaz/RS, o incremento nos primeiros dez meses do ano foi de 42,6% em relação a 2020. A partir dessa média, a Associação das Indústrias de Móveis do Estado do Rio Grande do Sul (Movergs) projeta que o ano encerre com faturamento bruto 38% maior na comparação com o ano anterior. Esse dado, porém, não reflete a realidade, visto que a cadeia de madeira e móveis vem enfrentando diversos efeitos da instabilidade econômica – como aumento de impostos e alto preço dos insumos, ou seja, não significa maior lucro líquido.
O referido crescimento deve-se em parte à baixa base de comparação, principalmente do primeiro semestre deste ano com o mesmo período de 2020, tendo em vista que, naquela época, a pandemia estagnou o setor. Além disso, com a retomada da economia, muitos mercados, dentre eles o de móveis, passaram a ter problemas de escassez de matérias-primas, com alta dos preços e forte impacto nos custos de produção, elevando o preço final dos produtos e, consequentemente, o faturamento bruto. Essa elevação, no entanto, não foi acompanhada na mesma proporção pelo aumento da produção, das vendas físicas e da lucratividade.
PRODUÇÃO E VENDAS
Segundo informações do IBGE, entre janeiro e outubro de 2021 a produção física industrial no RS foi 17,3% maior do que no mesmo período do ano anterior, objetivando atender às vendas para o mercado interno e externo. Já o volume de vendas no comércio varejista de móveis aumentou somente 4,3% na comparação com igual período de 2020. Ambos crescimentos são interessantes, mas aquém da elevação no faturamento bruto do setor moveleiro gaúcho (42,6%). Tal cenário deve permanecer sem alterações até o mercado de matérias-primas se normalizar, o que pode acontecer no primeiro semestre de 2022.
EXPORTAÇÕES
Voltando a análise para as exportações, o RS teve crescimento notável entre janeiro e novembro de 2021. O aumento foi de 47,2% em relação ao mesmo período de 2020 e estima-se que o ano encerre com incremento de 45% nas vendas gaúchas com destino para fora do Brasil.
Com pequena alteração no ranking, Estados Unidos, Chile, Uruguai, Reino Unido e Peru estão entre os cinco maiores importadores de móveis do Rio Grande do Sul. Somados, esses países correspondem a cerca de dois terços das exportações.
EMPREGOS
No que diz respeito à geração de empregos no segmento moveleiro, já considerando os ajustes feitos em informações históricas de 2020 pelo Governo, no ano passado a evolução do número de empregados no segmento ficou positiva em 3,2% no RS (versus 2019). Em 2021, até outubro, a evolução foi de 9,4%, considerando os dados mais atualizados do Caged.
PERSPECTIVAS
Há no Brasil, assim como em diversos outros países, um foco inflacionário que tem como base principalmente o aumento geral dos custos de produção. Por aqui, o aumento dos juros está sendo utilizado para combater tal processo, sendo que a Selic já está em 9,25% ao ano após diversos reajustes, permanecendo com tendência de alta no curto prazo.
Juros altos costumam atrair capital especulativo e tendem a impactar no câmbio, propiciando sua estabilidade ou mesmo baixa. Infelizmente, tal cenário não incentiva a produção, inibe a concessão de financiamentos e reduz o poder de compra da população. As projeções do PIB vêm caindo, devendo fechar abaixo dos 5% em 2021 e em 0,5% em 2022, segundo o Boletim Focus do Banco Central emitido em 10.12.2021.
Considerando esse cenário e as peculiaridades do segmento moveleiro, que consegue se reinventar em meio às dificuldades econômicas, a Movergs projeta crescimento nominal de 5% a 6% no faturamento do setor em 2022. Isso em um cenário semelhante ao vivenciado em 2021, sem que a produção física acompanhe tal aumento e considerando que a base de comparação dessa vez será mais expressiva (todo o ano de 2021). Esse cenário pode ser alterado, mas dependerá de muitos fatores, como controle da inflação, geração de empregos, nível dos gastos públicos e foco em ações que gerem a retomada do crescimento brasileiro.
PALAVRA DO PRESIDENTE
O presidente da Movergs, Rogério Francio, frisa que os movimentos do mercado são dinâmicos – e isso é natural. “Analisando a economia de um modo geral, desde momentos passados até perspectivas para 2022, espera-se que o crescimento do setor moveleiro continue, porém mais moderado”, comenta.
Francio destaca que o comportamento do consumidor já mudou em dois aspectos: mais uso da internet, tanto para pesquisar preços quanto para comprar, e maior atenção à qualidade do atendimento recebido. “Para se adequar à essa realidade, as empresas precisam olhar para a conectividade não como entrave, mas como oportunidade. Além disso, oferecer uma boa experiência de atendimento, compra e pós-venda é fundamental para que os clientes se sintam especiais”, explica.

