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07-07-2015
Deserto produtivo econômico por dois anos
Para o economista José Roberto Mendonça de Barros, cenário nacional é desafiador e inspira mudanças
O ambiente macroeconômico delicado encaminha a indústria nacional para um momento de recessão e inúmeros desafios. Ao considerar a conjuntura atual, o economista José Roberto Mendonça de Barros analisa o setor moveleiro e prevê que a cadeia produtiva deve passar por um “deserto” produtivo de dois anos, com recuperação apenas em 2017. “O cenário econômico é desafiador. Nosso papel é atravessar esse período sem destruir o futuro. Para construirmos um futuro diferente precisamos de uma visão sem cortes e clara do que está se passando”, comenta Barros. O economista fez parte do time de palestrantes do XXV Congresso MOVERGS em Bento Gonçalves.
Na primeira etapa de sua apresentação, Barros avaliou o cenário internacional. Entre os destaques está a Zona do Euro que teve crescimento mais forte que o esperado em algumas economias no primeiro trimestre e grande presença da esquerda nas eleições regionais da Espanha. Segundo ele, a Índia em 2015 deverá crescer mais que a China, que passa por uma desaceleração e perda de fôlego nos primeiros meses do ano.
Para o cenário nacional, Barros falou do degrau econômico vivenciado de janeiro a março deste ano com forte queda na produção. De maio a junho o país passou por uma piora fiscal, que inclui conflitos na liderança do PMDB e balanço pós Petrobras. Conforme o economista, o crescimento deve ser recuperado sem reformas, mas com poucos investimentos, com elevação do desemprego e dificuldades nas empresas. “Vimos outros países crescerem, por isso, não podemos dizer que é o mundo que está nos atrapalhando. Nós mesmos somos o problema. Passamos por um desastre macro e um desarranjo microeconômico”, analisa. “A recuperação e reinvenção do setor pode ser possível se as empresas seguirem alguns elementos chaves capazes de reestruturar os serviços”, complementa.
Reforçar as linhas de exportação e a internacionalização, aproveitando a competitividade das importações e as oportunidades de nacionalização de produtos é o primeiro ponto de destaque do economista. Barros ressalta a necessidade de um esforço maior em direção das melhores práticas de redução de custos e inovação. “A revisão da política de crédito para clientes e fornecedores, estratégias, e inovação é essencial. É imperioso elevar a produtividade”, comenta. Para o economista, diminuir a dependência de favores fiscais e crédito, do governo em todos os níveis, é fundamental. “Qualquer vínculo com o governo tem que ser desfeito. Usar a força do balanço para consolidação e aquisição de bons ativos e preços deve ser o tema de casa das indústrias”, reforça Barros.

