Notícias
05-01-2015
Indicadores apontam queda de 2,8% na produção em 2014
Insegurança econômica, retração prolongada do consumo, alta taxa de juros e as dificuldades competitivas decorrentes dos gargalos na infraestrutura e do custo Brasil estão entre os fatores responsáveis por tornar 2014 um ano apreensivo para o setor moveleiro. As previsões do Instituto de Estudos e Marketing Industrial (IEMI) indicam queda de 2,8% na produção para o segmento em 2014, no comparativo com 2013. Sem crescimento e com a demanda em baixa, as empresas registraram o maior índice de ociosidade nos últimos dez anos.
“As expectativas iniciais eram, sem dúvida, boas para este ano. Com o passar dos meses as previsões não se concretizaram. A produção registrou taxas muito abaixo do esperado, refletindo o momento econômico marcado pela inflação em alta e pelo endividamento do consumidor. Isso frustrou o setor, que vinha se preparando e investindo na elevação da demanda”, avalia o presidente da Associação das Indústrias de Móveis do Estado do Rio Grande do Sul (MOVERGS), Ivo Cansan.
As incertezas que permeiam o mercado fazem o empresariado encerrar o período em uma atmosfera de apreensão diante da previsão pouco otimista dos analistas. O cenário atual coloca em risco o investimento que a indústria fez ao longo dos últimos cinco anos, quando acreditavam na solidez do mercado e nas políticas governamentais em implantação na época. “O setor não contava com a desaceleração econômica e a volta da inflação. O setor moveleiro fecha o ano com preocupação e inicia 2015 cauteloso”, afirma o presidente. As dificuldades de 2014 também se refletiram na queda de 1,5% do número de pessoas ocupadas na indústria.
Nova postura em 2015
Com a confiança abalada após um ano delicado, o setor moveleiro tem, diante de si, o desafio de buscar alternativas para atrair os consumidores e estimulá-los a direcionar parte da renda na aquisição de móveis. “Acreditamos que indústria e poder público precisam assumir uma nova postura para 2015, pautada por mudanças de impacto na economia e na produção. A fase será de trabalho dobrado para garantir a manutenção dos postos de emprego e buscar novos mercados”, analisa o presidente.
Para 2015, a MOVERGS prevê aumento produtivo entre 3% a 5% no setor moveleiro. O caminho para rever a situação, segundo Cansan, é a redução de custos, adoção de soluções inovadoras e serviços de qualidade.
Conforme trata o Relatório Setorial da Indústria de Móveis elaborado pelo IEMI as atenções devem se voltar para o planejamento dos negócios: até 2018, o PIB tende a crescer a um ritmo de 2% ao ano. “Para os próximos quatro anos, prevemos uma mudança no consumo das famílias do país. Por isso, a indústria precisa conquistar o cliente. Criar o desejo de que o mais bonito é o melhor e também pode ser mais caro. A ideia é garantir esse giro no ponto de venda e agregar valores de diferenciais próprios”, destaca Marcelo Prado, presidente do IEMI.
Outros dados
Os indicadores parciais do setor em 2014, segundo o IEMI, apontam queda na importação em 8,9%. A exportação também registra queda neste ano, mas pouco expressiva, de 0,4%. Para o varejo de móveis e colchões os dados são positivos: em 2014 o setor registrou aumento de 3% nos volumes e 10,2% nos valores. Entre 2009 e 2013 o varejo de móveis e colchões avançou 32% em volumes e 66% em valores nominais. Para 2015 o crescimento deve atingir 4,3% e 11,5%, respectivamente. Na produção, o aumento estipulado para o próximo ano, de acordo com o IEMI, é de 3,1%. As importações devem atingir os 2,1% de crescimento, enquanto as exportações chegariam a 3,8%.

