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07-07-2015
Política comercial deve focar na ampliação de mercados
Para o administrador Luciano Santos Tavares de Almeida o Brasil ainda é promissor em relação ao cenário competitivo global, mas precisa ampliar participação na pauta internacional
A visão de administrador permite que Luciano Santos Tavares de Almeida, ex-presidente da Investe São Paulo, aponte com segurança os desafios que o setor produtivo nacional deverá enfrentar nos próximos anos. Ao mesmo tempo em que argumenta os motivos potenciais para investimentos no Brasil, Almeida destaca possíveis caminhos para a recuperação de competitividade das empresas. Segundo ele, a política comercial deve estar focada na ampliação de mercados, remoção de barreiras e maior integração à rede de acordos comerciais. As colocações foram feitas durante a palestra “Por que investir no Brasil?”, ministrada por Almeida durante o XXV Congresso MOVERGS, em Bento Gonçalves.
Segundo ele, aumentar o número de empresas no mercado internacional, incentivando a participação das pequenas e médias empresas é um dos compromissos que o setor privado deve assumir até 2018, pelo menos. Para isso, a simplificação e a racionalização da legislação e dos processos administrativos e aduaneiros é essencial. “A partir de um novo posicionamento é preciso haver uma melhoria do ambiente tributário para as empresas exportadoras”, comenta.
Sobre a fusão de outras empresas no mercado brasileiro, Almeida destaca que o primeiro passo do país está em recuperar a credibilidade de suas instituições, seguido pela redução da carga tributária da indústria e marcos regulatórios. “A mudança da regra do jogo a todo o momento é uma questão fundamental. Se para nós, que somos brasileiros, isso já é difícil de entender, imagine para um estrangeiro que está acostumado com regras claras e consolidadas”, ressalta.
Entre os desafios para se investir no Brasil, Almeida lista “a burocracia, marcos regulatórios, legislação, insegurança jurídica, inflação e tributos”. “A lista é grande, mas ainda temos grande potencial. Uma pesquisa realizada com CEOs (2014) de multinacionais coloca nossa nação entre os quatro países no mundo com maior perspectiva de crescimento do seu mercado nos próximos 12 meses”, comenta.
Apesar dos entraves, a média de fusões e aquisições no Brasil nos últimos cinco anos se mantém aquecida com estimativa de crescimento. Os investidores estrangeiros já ultrapassam os empresários nacionais, chegando a 51% do total anunciado em 2015. “Para apostar em uma Joint Venture é preciso identificar países e mercados em potencial e empresas parceiras que possam transferir tecnologia ou contribuir com parceria comercial, financeira ou societária”, afirma Almeida.

