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26-03-2015
Suspensão do Minha Casa Melhor deve prejudicar setor moveleiro
Presidente da MOVERGS, Ivo Cansan, avalia os impactos para a cadeia
produtiva gaúcha após medida anunciada pelo governo federal nesta semana
O anúncio da suspensão do Programa Minha Casa Melhor, feito recentemente pelo Governo Federal, foi recebido com inevitável pessimismo pelos industriais do setor. Criada em 2013 para oferecer taxas de juros mais baixas na compra de móveis e eletrodomésticos, a facilidade não será mais oferecida sob a alegação de que há falta de recursos para arcar com o custo financeiro dos juros mais baixos. “Este é mais um fator que coloca o setor em alerta: estamos sendo penalizados por conta de um governo que não soube medir corretamente seus gastos, extrapolando as contas públicas e tornando-as negativas a ponto de agora ter que repassar este alto custo ao povo brasileiro. O benefício era fundamental diante de um quadro de intensa restrição fiscal e com a indústria desaquecida, sua supressão certamente tem impacto negativo para indústria e consumidores”, avalia Ivo Cansan, presidente da Associação das Indústrias de Móveis do Estado do Rio Grande do Sul (MOVERGS).
A mudança no comportamento de compra, acarretada pelo cancelamento do programa, atingirá principalmente os hábitos do consumidor da classe média. Isso porque, sem facilidade para crédito, deverão investir apenas em bens extremamente necessários. “A medida do governo demonstra às pessoas que não é o momento de consumir. A consequência é a retração do ciclo de compra, pois, com os altos juros praticados neste momento, o financiamento fica inviável”, comenta.
Nesse contexto, a decisão de adquirir um móvel fica em segundo plano. Nas indústrias, o impacto será percebido brevemente: as empresas diminuirão a produção, refazendo também seu planejamento anual. “Até mesmo os postos de trabalho ficam comprometidos, porque quanto menor for a necessidade de produção, mais aumenta o desemprego. Com isso, o consumo decresce ainda mais, e temos um ciclo de retração”, explica.
Agora, a entidade gaúcha une forças às representações nacionais do setor para dar continuidade ao trabalho de defesa dos interesses da cadeia produtiva de madeira e móveis. “Vamos batalhar pela manutenção de subsídios de juros das indústrias, para que estas possam continuar investindo e, desta forma, manter sua competição global, produzindo com mais diferenciais, agregando design e aumentando a produtividade. O setor fica em uma situação desfavorável, mas a MOVERGS, junto com as outras entidades estaduais e também nacionais, vai continuar buscando alternativas para contornar o cenário, demonstrando ao governo a preocupação com o segmento da indústria, tão penalizado nos últimos anos”, analisa Cansan.

